A brisa secava-me os olhos e o Sol entorpecia-me o andar. Quanto de mim ficara sob os torrões rolantes e sonoros, e mais e mais e mais. Por cima coroas de flores; mil-flores a adornar.
A brisa levou-lhe a alma naquela fotografia de olhar patusco. Foi parar a parte incerta, desapareceu.
A minha Mãe morrera.
Ali estava eu, perdida mas decidida a não a deixar sózinha. Grande silêncio à minha volta. Tudo se resumia a gestos pois os sons tinham sido também levados. Que falta de forças, mas dali não saía não fosse alguém puxar-me e arrastar-me ordenando que "Já basta!". Nem reagi, deixei-me ir.
Na véspera cheguei, depois de um telefonema aflito, e o enfermeiro abriu a porta da sala com ar pesaroso: "Não pudemos fazer nada. Já não respirava"
Na antevéspera passeava no corredor falando de mansinho por se sentir muito cansada. Despedi-me dando-lhe "muitos beijinhos" a seu pedido. Posso dar? "Sim, muitos."
Agora ali estava imóvel, de rosto bonito, como sempre. Acariciei-o, aveludado. Encostei-me a ele, e nada reagia. Triste, incrédula. Mãe porque me deixaste? A longa doença transformou-a, lentamente numa pessoa diferente, mas era a Mãe presente. A minha segurança espiritual.
Agora abandonára-a eu num local de abandonados, silenciosos entes queridos de alguém.
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