Here I write my experiences, moments of my life good and bad. Mourning the dead of my parents and the consequent depression that I suffered. My main objective is, through my experience, to show other people that they are not alone. Show other people how it was to climb a monstrous mountain that consumed me for a long time. Do not feel alone, for this is the worst that can happen in our lives
Monday, October 12, 2015
Saudades - de Florbela
Saudades
Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.
Quantas vezes, meu Pai, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.
Quantas vezes, meu Pai, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
Lágrimas ocultas
As lágrimas ocultas que só eu sinto inundarem-me a alma até quase sucumbir, as lágrimas ocultas que me toldam o caminho, que não me deixam ver o rumo a seguir.
Esse caminho estreito e suspenso, com abismos imensos aos quais não sei reagir e que parece querer, a qualquer momento ruir.
Sucumbir às minhas lágrimas, acabar o sofrimento, quem sabe encontrarei,
lá no fundo, os meus alicerces que hoje são a causa das lágrimas ocultas que me corroem a alma.
Lagrimas ocultas - Florbela Espanca
...
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas-de-santa-maria que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Esse caminho estreito e suspenso, com abismos imensos aos quais não sei reagir e que parece querer, a qualquer momento ruir.
Sucumbir às minhas lágrimas, acabar o sofrimento, quem sabe encontrarei,
lá no fundo, os meus alicerces que hoje são a causa das lágrimas ocultas que me corroem a alma.
Lagrimas ocultas - Florbela Espanca
...
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas-de-santa-maria que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
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