Wednesday, July 8, 2015

A alma da princezinha

A alma da princesinha
Era uma princesa humilde, sensível e adoradora de animais. Desde pequena, os pais a observavam nas suas observações atentas no jardim. Na praia colhia conchinhas quase microscópicas e observava a sua perfeição.
Adorava os seus Pais, olhava-os com respeito e amor durante toda a vida.
A princesinha gostava de se embrenhar na floresta perseguindo borboletas e brincando com o esvoaçar errante destas belezas.
Tanto brincou com as borboletas que ganhou, ela também, asinhas delicadas e iridiscentes que lhe permitiam acompanhar as amiguinhas.
Um dia ao voltar a casa tinha os pais doentes. Os pais que tanto amava, cada vez mais doentes. As asas da princesinha foram perdendo a côr. Ela deixou de voar e brincar com as borboletas na floresta. Entristeceu. Os pais partiram e ela sentiu-se muito desamparada. As asas secaram e caíram. A princesinha já não se lembrava delas, nem das borboletas e a floresta tornou-se tenebrosa e triste.
Havia uma gatinha que antes corria com ela pela floresta, riam e brincavam com as borboletas. Era a mais doce, meiga e de pelo luzidio como nunca se vira. A gatinha adoeceu num triste dia para a princesinha. A gatinha foi embora encontrar-se com os pais da menina.
Cada vez mais triste sentia-se perdida sem aqueles bons amigos. Enfraqueceu tanto, que sofreu de várias maleitas. Sobrava-lhe um amigo com quem podia conversar. Mas, mais uma vez doente, quis conversar com o amigo. Para sua tristeza este tinha-se ausentado e, ali ficou ela, sózinha, frente à lareira tentando descobrir Porquê? Ela sabia. O amigo, cansado, incapaz de continuar a vê-la naquela tristeza, deixou-a.
A princesinha, triste compreendeu.
Deveria voltar a brincar com as borboletas, voltar a olhar para as conchas, voltar a ter asas mesmo que sem côr e sem brilho.
E assim cresceu a princesinha, tornando-se uma rainha muito querida do seu povo. Nos olhos notava-se o peso das agruras, mas agora que era rainha tinha-se tornado forte e muito respeitada. Só no recanto mais escuro dos seus aposentos a rainha deixava cair lágrimas de saudade. Tinha que ser forte, pois assim lho exigiam. No entanto, a sua alma derretera-se como uma vela ao Sol.